" Eu e a minha aldeia de Guisande" "" Eu e a minha aldeia de Guisande

19/10/2026

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Azedume

Casou-se, quem diria?

Porque não convidado,

É o que por aí se diz; 

O que é que lhe diria,

Mesmo que ignorado?

Pois...que seja feliz!


Mas começa mal, acho,

Que uma nova vida

Se pinte neste negrume

Num sentimento baixo

De alma ressentida

A exalar azedume.


Mas a vida é mestra,

O tempo professor,

Há muito a aprender.

Tudo o que não presta

É de baixo valor,

Incapaz de crescer.

14/10/2026

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A Associação Cultural de Guisande "O Despertar" marcou toda uma época, que abrangeu quase três décadas. Foi o símbolo de uma freguesia com uma juventude dotada de espírito de iniciativa, onde muito se fez com tão pouco.

Simultaneamente, num claro paradoxo, é agora e há já alguns anos o reflexo da estagnação e de novas gerações que, salvo raras exceções, revelam pouco interesse pelo passado, presente e futuro da comunidade, assistindo-se a um esbatimento progressivo do espírito comunitário. 

É algo que surpreende, sobretudo numa época em que os recursos técnicos e tecnológicos ao dispor do associativismo nunca foram tão férteis. Por exemplo, no passado, a freguesia foi capaz de fundar e manter um jornal local quando quase tudo se fazia de forma manual, recorrendo a máquinas de escrever básicas e a métodos de impressão rudimentares. Hoje em dia, com computadores, sistemas de impressão de grande qualidade e até o apoio da inteligência artificial, nada de semelhante se realiza.

Resta-nos sempre a esperança de que as coisas melhorem e de que surja gente — sobretudo mais jovem — com ideias, capacidade e vontade. Infelizmente, no entanto, não se vislumbram motivos para alimentar essa crença, por mais ténue que seja. 

Oxalá tudo isto não passe de um certo pessimismo e venha a ser desmentido pela realidade.

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