" Eu e a minha aldeia de Guisande" "" Eu e a minha aldeia de Guisande

28/04/2026

Nota de falecimento - Rosa de Castro Linhares


Faleceu de forma inesperada, Rosa de Castro Linhares, de 81 anos, do lugar de Casaldaça.

Nasceu em 21 de Abril de 1945. Era esposa de Fernando de Oliveira Pinho com quem casou em 11 de Janeiro de 1970.

Era filha de António Ferreira Linhares e Rosa Ferreira de Castro.

Era neta paterna de Manuel Ferreira Linhares e Olívia Margarida dos Santos.

Era neta materna de José Ferreira de Castro e de Ana de Oliveira.

Era bisneta paterna de José Custódio e Margarida Gomes.

Era irmã de Manuel Ferreira Linhares, Margarida Maria, Maria Adelaide e Maria Margarida.

Neste momento de perda e pesar, expresso os meus sentidos sentimentos a todos os familiares, de modo particular ao seu marido Sr. Fernando e a seus filhos Fernando e Valdemar.

Ainda não são conhecidos pormenores das cerimónias fúnebres, que aqui actualizarei logo que tornados públicos.

Que a sua alma descanse em paz e permaneça na memória dos seus e da comunidade onde era estimada pela sua simpatia e trato fácil.

27/04/2026

Olhares sonhados - 2


Não é o Ti Domingos Lopes - que nestas coisas de memória e de olhares sonhados nem sempre se acertam os rostos -, mas bem podia ser. E com mais funda razão e propriedade. De facto, foram muitas, tantas que nem se contam, as vezes que, com a sua parelha de bois, passou este portal bonito e singular, ali na casa do lugar da Igreja. Este, se não é peça única no concelho, é seguramente coisa rara: o baixo-relevo talhado na pedra dura, numa bordadura de elementos decorativos e encimado pela cruz, como que envolve e dá respeito ao trabalho diário do laboureiro.

Ora saía com o carro cheio de estrume, a caminho dos campos; ora levava a charrua e a grade, prontas para lavrar e gradar; ora ia de carro vazio, entaipado ou com a caniça, para trazer tojo, palha, espigas ou uvas. Era assim a vida - de lavrador, carreteiro e laboureiro - num tempo em que não havia tractores. E mesmo depois de aparecer o primeiro, para espanto da aldeia, comprado pelo Raimundo da Lama, em Guisande ainda muito trabalho se fez a bois.

Foi então que, devagar mas inexoravelmente, começou a perder-se o ofício. Homens como o Ti Domingos Lopes, o irmão Joaquim ou o Ti António “Simeão” foram ficando para trás. Mas os bois, mansos e certos, por muitos anos rasgaram a terra. Era um trabalho duro mas de paciência, sem pressas, uma arte. 

Depois, como tudo, veio o seu fim. Foram-se esses homens, rijos como o chão que lavravam. Os bois deixaram de encher os aidos escuros. Aos poucos, este e outros portais foram-se fechando, a ganhar silêncio, a perder cor.

Mas fica a lembrança. Este olhar sonhado é só um tributo a essa gente de trabalho: homens que, ao romper do dia, emparelhavam os bois ao jugo, prendiam-no à cabeçalha do carro e saíam pelo portal ainda com a capoeira a dormir, para voltarem já noite feita, depois do toque das Trindades, com o luar já a alumiar os caminho do monte do Mó ou das ribeiras.

É bom sonhar e trazer à memória a gente e modos de vida que ajudaram a entretecer o ninho que temos como nossa casa, como nossa aldeia.

Fotografia do Ti Domingos Lopes com a sua parelha de bois.

26/04/2026

Olhares sonhados - 1

 

Cimo de Vila - Casa da Ti Ilda Fonseca (prima de minha mãe), que foi de seus pais, Joaquim José da Fonseca e Albertina Oliveira (do Grilo).

Na minha infãncia por ali passei muitos dias a brincar. Ali, daquela janela no sobrado, era uma sala de costura em que trabalhavam algumas das irmãs Fonseca.

Tempo bonito que não volta. O tempo passado deixou as rugas nas fachadas. As rosas ainda são perfumadas mas já não há meninice nem crianças a brincarem no largo com o Ti Manel do Martinho sentadito na escada da rua.  Já não há rego de água vindo do lavadouro de Cimo de Vila onde, junto ao campo da Cancela, montava rodízios de bogalhos ou lançava à aventura barcos moldados de casca de pinheiro.

Tudo mudou e apenas um olhar sonhado permite uma viagem a esse passado já longínquo. Mas dizem que é bom sonhar...

Podia ser verdade... Olhares sonhados

 

Em tempos passados, as nossas juntas de freguesia, ali pela década de 1980 e seguinte, procuraram dar melhores condições a quem utilizava os lavadouros públicos, nomeadamente dotando alguns deles com coberturas. Apesar disso, fizeram-no sempre sem qualquer assomo de estética, preferindo uns mostrengos em betão ou umas miseráveis chapas, numa filosofia de gastar o menos possível. Foi assim nos lavadouros em Estôze, Casaldaça, Fornos e Cimo de Vila. 

Num mero exercício do que poderia ficar mais de acordo com uma estética rústica, ilustro aqui o lavadouro de Cimo de Vila, com a sua abundante fonte de água corrente. É certo que os tempos em que os meus olhos de criança ali viam as mulheres do lugar ocupando toda a pedra de lavar, numa tagarelice quotidiana, a esfregaram as roupas cardidas de quem trabalhava no campo ou nas obras. Sentia-se um cheiro a água fresca e sabão.

É certo que os tempos mudaram e são pontuais os casos em que alguém ainda utiliza os lavadouros mas, pelo valor patrimonial e de memória colectiva que representam deviam ser uma preocupação das juntas de freguesia na sua conservação. Um castelo também já não tem utilidade prática e apesar disso conserva-se. 

Pretender comparar um singelo lavadouro a um vetusto castelo pode não fazer sentido para muitos, mas deve fazer. Afinal, um castelo podia ser morada de um qualquer senhor feudal enquanto que um lavadouro é do povo, o que era explorado pelo fidalgo.

Podia ser verdade...

23/04/2026

Dia Mundial do Livro - Também dos meus


Hoje, 23 de Abril, celebra-se o Dia Mundial do Livro. Que seja "Mundial" ou "Internacional", é uma data significativa pelo que representa.

O Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor foi instituído pela UNESCO em 1995. Esta data tem como objectivo central o reconhecimento do livro como um instrumento fundamental para a educação e o progresso cultural.

O foco primordial da data é incentivar o hábito da leitura em todas as faixas etárias, destacando o prazer da descoberta literária. Em 2026, as iniciativas em Portugal, coordenadas pela DGLAB, sublinham a leitura como um acto de liberdade, cidadania e democracia, integrando as comemorações dos 50 anos da Constituição da República Portuguesa.

O dia serve para reafirmar o papel dos livros como meios insubstituíveis da transmissão de património cultural e informação, desenvolvimento intelectual, expansão de horizontes e combate ao isolamento social e reforço de laços interpessoais.

Não sou, de todo, escritor ou autor, mas modestamente já tenho três livros publicados, um deles recentemente apresentado e que está à venda pelo Guizande Futebol Clube, já que é a esta instituição que é dedicado e os ganhos com a venda servem para ajudar as suas actividades e obras nas instalações desportivas do Campo "Oliveira e Santos".

Apesar disso, escrever e publicar um livro não é apenas um exercício de vaidade mas antes uma consequência de quem cultiva a escrita, a língua  e a literatura. Se para muitos e talentosos escritores é um modo de vida, para pequenos e insignificantes  autores, como eu, que apenas publicam em edições de autor, é um exercício de alguma loucura e gastos que pouco compensam com pequenas edições. As editoras comerciais não apostam em que não tem nome, eventualmente até aceitando publicar mas com condições que se resumem a dar um chouriço para receberem um presunto "pata negra".

Dos meus três livros, o primeiro, "Palavas Floridas", com poemas, contos e textos, foi literalmente para oferecer a familiares e amigos, por isso sem ganhar um tostão. O segundo, de literatura infantil, vendi a pouco mais de preço de custo e desse valor ofereci 2 euros à UNICEF para campanhas de apoio às crianças do "corno de África". Algumas entidades de poder local comprometeram-se a apoiar, adquirindo algumas dezenas de exemplares para a rede de escolas e bibliotecas, mas tal não passou de uma promessa por cumprir. Sem supresa!

O terceiro, ainda fresco e recentemente apresentado (10 de Abril), é um conjunto de apontamentos sobre a história do  Guizande Futebol Clube, que o está a vender pelo que a totalidade dos lucros com a venda são para a colectividade. Uma vez  mais, trabalho e alguma despesa sem qualquer ganho, mas no que é um orgulho poder ajudar, juntamente com quem apoiou nos custos da publicação. Como reconhecimento, do poder local municipal ninguém a representar, mesmo que com convite prévio. Sintomático!

Por conseguinte, para os insignificantes autores como eu, vai valendo a loucura e a vontade de fazer alguma coisa, mesmo sem nada esperar. Tenho mais três projectos, um deles já em escrita avançada, dedicado à capela do Viso e à sua festa. Uma vez mais com foco nas coisas da freguesia. Ainda um outro, uma monografia geral sobre a freguesia nos seus diferentest aspectos, que praticamente está escrita. Ainda em mente um terceiro livro de poemas e contos "Palavras despidas".

São projectos, com  vontade própria e já todos com escrita adiantada, mas confesso que ainda sem saber quando verão a luz do dia. Estas coisas, para além do tempo e cansaço, custam dinheiro, cada vez mais, e não sou pessoa de pedinchar, sobretudo a quem tem obrigação de incentivar e apoiar. Seja como for, venham, ou não, a ser publicados, uma vez mais o objectivo não será ganhar dinheiro. Quando muito a vender a preço de custo para mitigar o prejuízo.

Posto isto, importa valorizar o Dia Mundial do Livro e dar importância ao que lhe dá substância, os autores, os livros e o que neles se imprime, sobretudo quanto temas que são uma forma de valorizar a nossa freguesia, os seus valores, passados e presentes. Apesar disso, sem expectativas porque sabendo que a larga maioria pouca importância dá a estas coisas.

21/04/2026

Comissão de Festas do Viso - 2026 - 1.ª Noite da Francesinha


A diligente Comissão de Festas do Viso - 2026, promoveu neste Sábado, 18 de Abril, a partir das 19:30 horas, no Centro Cívico no Monte do Viso, a sua 1.ª Noite da Francesinha. Os lugares estavam sujeitos a reserva e a participação excedeu as expectativas. Aqueles que deixaram para a última hora já não conseguiram lugar. Por conseguinte, foi excelente a participação.

Quanto à "francesinha", para o meu gosto e dos que com quem falei, esteve excelente, saborosa e equilibrada nos sabores e no picante.

Parabéns, pois, à Comissão de Festas e aos que colaboraram para este jantar, mas de modo particular ao pessoal que a confeccionou. 

Sabemos que é um prato trabalhoso de confeccionar, com preparação e montagem de vários ingredientes, para além do sempre importamte molho, mas pela qualidade ficamos à espera da segunda noite.


O Macaco Nu - Desmond Morris


Aos 98 anos morreu Desmond Morris, autor do célebre livro “O Macaco Nu”.

Publicado originalmente em 1967 pelo zoólogo e etólogo Desmond Morris, "O Macaco Nu" (The Naked Ape) é uma das obras de divulgação científica mais influentes do século XX. O livro analisa o comportamento humano sob uma lente puramente biológica e evolutiva, tratando o Homo sapiens como uma espécie animal entre as outras.

Morris define o ser humano como o "macaco nu": um primata que, por razões evolutivas, perdeu a pelagem corporal. Ao longo do texto, ele ignora as explicações culturais ou religiosas habituais para o comportamento humano, focando-se em instintos herdados que partilhamos com outros animais ou que desenvolvemos para sobreviver na savana.

O autor descreve a transição do antepassado humano de um recolector de floresta para um caçador-recolector em campo aberto. Esta mudança evolutiva conduziu a uma postura erecta para avistar presas e predadores; A perda de pelo para facilitar a regulação térmica durante perseguições longas; Desenvolvimento cerebral para criar ferramentas e estratégias de grupo.

O livro divide-se em capítulos que analisam as funções vitais do "macaco nu":

Sexualidade: Morris argumenta que muitas características sexuais humanas evoluíram para fortalecer o vínculo do casal, garantindo que o macho permanecesse presente para ajudar a cuidar da prole, que nasce extremamente dependente.

Criação: A análise do instinto materno e da necessidade de um período prolongado de aprendizagem infantil.

Agressividade: O autor explora como o comportamento territorial e a hierarquia de dominância (comum em primatas) se manifestam na sociedade moderna e na guerra.

Alimentação e Higiene: Como os nossos hábitos de consumo e cuidados corporais ainda refletem rituais de grupos sociais primitivos.

Uma das teses centrais do livro é que, embora vivamos em cidades tecnológicas, o nosso "equipamento" biológico e instintivo permanece o de um caçador da Pré-História. Morris alerta que ignorar a nossa natureza animal e os nossos limites biológicos (como a sobrepopulação e o stress territorial) pode colocar em risco a sobrevivência da espécie.

Na época do seu lançamento, o livro foi controverso por desmitificar a "superioridade espiritual" humana e por dar grande ênfase à biologia sexual. Hoje, embora alguns dados da antropologia tenham sido actualizados por descobertas mais recentes, permanece um marco por ter popularizado a ideia de que a nossa biologia molda a nossa cultura de formas mais profundas do que gostamos de admitir.