07/11/2026

Um ano de vida renovada

 


Conforme previsto, decorreu no dia de hoje, a partir das 11:30 horas, junto à rotunda da Cruz de Ferro, a comemoração do 1.º aniversário após a entrega dos destinos da gestão da freguesia aos próprios guisandenses. 

Para celebrar e perpetuar a data e sobetudo o seu significado e simbolismo, foi inaugurado um elemento estético, composto pela inscrição do nome da freguesia, GUISANDE e jardim envolvente.

Para além do executivo da Junta e elementos da Assembleia de Freguesia, marcaram presença o presidente da Câmara Municipal, Dr. Amadeu Albergaria e o seu vice-presidente Mário Jorge Reis.

Das palavras proferidas a propósito pelo presidente da Junta, Johnny Almeida, pelo presidente da Assembleia de Freguesia, Dr. Rui Giro e Sr. presidente da Câmara Dr. Amadeu Albergaria, foi realçada a importância do momento e da data e do que isso representa para a nossa comunidade, novamente por conta de si própria e da sua gente. 

O presidente do município prometeu apoio e garantia de que a freguesia não será deixada para trás, mas tratada como igual e parte do mesmo território que é o nosso concelho.

Em resumo, mais do que pelo valor do elemento estético ou decorativo, deve ser valorizado o seu simbolismo e significado. Oxalá que a data seja evocada por muitos anos e que a comunidade tenha e mantenha o orgulho na sua terra e que a valorize no que tem de positivo.  

Há, certamente, muito trabalho por fazer, e coisas substanciais, mas neste novo caminho só foi dado o primeiro passo. Há muito por percorrer e importa que o executivo, com o imprescindível apoio municipal, continue a traballhar de forma determinada e inovadora para colmatar e corrigir o que durante doze anos deixou de ser feito, e muito já foi realizado no que concerne à preservação e valorização da nossa identidade como na proximidade dos eleitos aos eleitores. 








06/11/2026

Nota de falecimento - Pe. Franklim Caetano de Azevedo - Lobão


Faleceu com 94 anos de idade o padre Franklim Caetano Azevedo, natural de Lobão, que vivia na Casa Sacerdotal de Vilar, no Porto. Foi pároco em Paredes, nas paróquias de Besteiros e Madalena.

Nasceu em 28 de Julho de 1932 - Foi ordenado em 2 de Agosto de 1959, entre outros, com o seu conterrâneo, já falecido, Pe. António Baptista de Oliveira e ainda o sacerdote de Caldas de S. Jorge, Pe. Isaías. De facto, um ano fecundo de sacerdotes feirenses.  Celebrou Bodas de Ouro sacerdotais em 2 de Agosto de 2009.

Natural  do lugar do Mirêlo, da freguesia de Lobão, o padre Franklim era um de quatro irmãos oriundos de uma família humilde que retirava da terra o seu sustento. Numa época em que a maioria da população vivia no campo e dele, conciliava os trabalhos agrícolas na quinta da família com o desejo constante de estudar.

Aos 15 anos, o pai arrendou algumas terras para conseguir juntar o dinheiro necessário aos seus estudos no seminário. O padre Franklim prestou provas de admissão ao liceu em Trancoso, Gaia, e continuou a sua formação no Seminário de Vilar.

Após a conclusão dos estudos com uma média razoável, viu-se perante o dilema de escolher o rumo a seguir: prosseguir para a faculdade para tirar o curso de Arqueologia, opção para a qual tinha incentivo , ou seguir a vida religiosa. Aconselhado por párocos mais velhos, optou pela igreja e disso nunca se arrependeu..

Após a ordenação em 1959, iniciou a sua caminhada pastoral em Santo Ildefonso, no Porto, como coadjutor, onde permaneceu até janeiro de 1962. Nessa altura, o Bispo confiou-lhe a paroquialidade das paróquias de S. Cosme e S. Damião de Besteiros e de Santa Maria Madalena, no concelho de Paredes. Acabaria por deixar a freguesia da Madalena devido a problemas de saúde, após 38 anos à frente da mesma. Manteve-se, no entanto, na paróquia de Besteiros, onde exerceu funções durante meio século, até Janeiro de 2012, mas mantendo-se ainda na freguesia.

Colaborou também com frequência com a paróquia de S. Cristóvão de Louredo da Serra, igualmente em Parades.

Em simultâneo com a missão sacerdotal, desenvolveu uma longa carreira no ensino. Começou a lecionar em 1964 no Colégio Antero de Quental (em Paredes) e no Colégio Emaús (em Baltar), ministrando as disciplinas de Português, História, Geografia, e Religião e Moral. Posteriormente, integrou o quadro da Escola Básica 2,3 de Baltar, onde lecionou durante 33 anos, até se reformar da docência em 1997 para se dedicar exclusivamente ao sacerdócio.

Apesar de se tratar de uma paróquia pequena, a ação do padre Franklim em Besteiros ficou marcada por várias realizações. Entre as principais destacam-se: Centro Paroquial, com adoptou o seu nome, inaugurado em 2007. 


Esteve ligado à construção da Igreja Matriz, restauro da Igreja Velha, edificação de um bairro social com rendas simbólicas para famílias de parcos recursos, além de intervenções de arranjo na residência paroquial, na Capela de São Domingos e na zona envolvente ao cemitério.

Reconhecendo que "a vida de padre não é fácil, principalmente nos dias de hoje", o pároco sublinhava que permanecia em Besteiros graças à "boa vontade e força de vencer", recusando convites para mudar de local devido à sua saúde. Classificava o povo local como "muito bonito", mas não escondia as dificuldades socio-económicas da freguesia, nomeadamente a falta de emprego, que obrigava muitos jovens a deslocar-se de madrugada para Espanha, regressando apenas ao fim de uma ou duas semanas.

Alertava para uma crise generalizada a nível moral, social e, sobretudo, familiar, defendendo que "não havendo família não podia haver gente condigna", apontando essa fragilidade como a causa principal dos graves problemas sociais atuais, como o crime e a violência.

Vai a sepultar, amanhã, Sábado, 7 de Novembro, pelas 14:00 horas na igreja matriz de Lobão, em cerimónia a presidir pelo Bispo auxiliar do Porto, D. Joaquim Dionísio. 

Paz à sua alma! 






Grupo Solidário de Guisande - Ceia de Natal 2026

 

Cristiano Ronaldo - A lei da vida


Não sou o melhor exemplo de pessoa que idolatre outra, seja lá ela quem for. E tenho figuras públicas, da literatura, das artes e ciências, até mesmo no desporto, na política e cidadania, em alta consideração, muitos já na História e outros ainda vivos. Talvez por influência da catequese, em que aprendemos que adorar, só a Deus, sobre todas as coisas. E já é muito, em relação a algo ou alguém que idealizamos como um ser criador e absoluto, e de quem temos tanta certeza da sua existência como os que, sendo ateus, a tentam provar para dizer que não.

Na Idade Média não faltavam ateus a recusar a ideia de que a Terra girava à volta do Sol, quanto mais a de que, passados 500 anos, haveria telemóveis, computadores, aviões, satélites no espaço, viagens à lua, etc, etc.

Por conseguinte, não sou dos que idolatram e endeusam o Cristiano Ronaldo. Não obstante, reconheço o seu valor e importância enquanto desportista nos últimos 20 anos, tornando-se, na sua profissão, num dos melhores de sempre, em Portugal e arredores. Bateu recordes e ainda tem vontade de conseguir mais alguns, mesmo que agora num campeonato das Arábias.

Reconheço igualmente a importância e a projeção global do seu nome associado ao nosso país, sendo mais reconhecido que Camões, Pessoa, Eça, Saramago, Torga ou tantos outros de diferentes quadrantes da nossa sociedade. 

Tudo isso é verdade e incontestável, até porque é ator num desporto transformado numa indústria de milhões e biliões, que em muito ajuda à globalização do seu conhecimento e projeção. Fosse o melhor do mundo em xadrez, ciclismo ou em qualquer outro desporto individual, com toda a certeza que seria bem menos conhecido ou popular.

Alguém sabe quem é o atual campeão do mundo de xadrez? Ou de boxe? Ou mesmo de ciclismo? Alguns saberão, certamente, mas dos 120 milhões que, ao fim de três horas da publicação do vídeo em que o futebolista deu a conhecer a sua decisão de deixar a Seleção Portuguesa de Futebol, serão imensamente menos os que saberão responder sem consultar fontes.

Apesar de tudo — das milhões de visualizações, das milhares de reações do mundo do futebol, da comunicação social e de gente anónima —, é caso para se dizer que nada é mais natural para quem fez o percurso que fez e, sobretudo, tendo em conta a sua idade. Outros, igualmente excelentes e populares futebolistas, já o fizeram no passado e continuarão a fazer com o avançar dos anos. Lionel Messi, que dispensa apresentações,  mais novo que Ronaldo, já tomou essa decisão há algum tempo.

Lamenta-se a forma e contexto em que decide deixar a selecção, mas sobre essa novela já muito foi escrito e dito. Pessoalmente acho-a deprimente e com enredo de novela.

Por conseguinte, esta decisão relativamente à seleção peca por tardia, talvez, pelo menos, em quatro anos. A isto chama-se a lei da vida e, Cristiano, sendo ainda um jovem, está velho, muito velho, para o futebol profissional e, sobretudo, para as altas competições. Na Arábia está bem e continuará a marcar golos, e até se estivesse ao serviço da equipa de veteranos do clube da nossa aldeia.

Posto isto, nada de extraordinário. Cristiano Ronaldo, um fantástico atleta, futebolista e profissional, um dos melhores de sempre de Portugal e do mundo, pode continuar a ser o que quiser, menos aquilo que o tornou célebre. Quando as coisas decorrem de uma lei e da naturalidade da vida, soa a exagero que se procure extrapolar.

Quanto ao resto, é uma questão de gostos. Pessoalmente, sem deixar de reconhecer que foi um dos melhores de sempre e a sua inegável importância para a projeção do país, tendo em conta o futebol como talento nato, arte e magia, e deixando de lado os números, golos, conquistas e recordes, coloco outros futebolistas acima do CR7, como Lionel Messi, Maradona, Pelé, Eusébio e Johan Cruyff. No entanto, uma grande parte dos que o idolatram, os mais jovens, cresceram a ver o Cristiano e, dos que mencionei, pouco viram e conhecem, talvez apenas dos livros e documentários.

Em resumo, obrigado ao Ronaldo pelo que fez em nome de Portugal, e certamente continuará a ser uma referência e embaixador, mas é um ciclo que se fecha e a vida continua. 

Quanto à seleção, estou certo, continuará a ser uma das melhores do mundo, como tem sido mesmo nos jogos em que o Cristiano, por um ou outro motivo, ficou de fora. Ninguém é insubstituível, sobretudo num jogo coletivo como o futebol, e nenhum jogador por si só conquistou fosse o que fosse. 

Uma equipa ou seleção ganha com todos, desde o guarda-redes — na maior parte dos casos ignorado —, aos defesas, médios e avançados. Estes, naturalmente, porque se lhes pede que marquem golos, são os mais falados e considerados, mas não têm mais ou menos importância que os colegas de equipa.

Siga, pois, a rusga, sem dramatismos ou exageros e, sobretudo, sem idolatrias e altares com velinhas.


[foto: fonte]

04/11/2026

Dia da devolução da identidade

 


Completa-se neste dia 4 de Novembro um ano sobre a tomada de posse dos órgãos de poder local da nossa freguesia de Guisande.

Depois de um período de gestão e administração em contexto de União de Freguesias, que nada acrescentou, e apenas retirou e reduziu investimento, proximidade e identidade das freguesias abrangidas, a freguesia de Guisande, e muitas outras no nosso concelho e país, lograram reaver a sua independência.

Este primeiro ano com a freguesia dirigida por gente nossa, apresenta um saldo deveras positivo a todos os níveis, apesar da inexperiência de uma equipa jovem e das muitas limitações de recursos. Até ao momento, mesmo que sem obras substanciais, muito já foi feito e sobretudo no que respeita à atenção e proximidade, bem como numa demonstração de que é possível fazer coisas interessantes mesmo que sem grandes investimentos.

Tal como o próprio executivo já transmitiu a propósito da data  "...Sabemos que ainda há muito por fazer e que o caminho se constrói passo a passo. Continuaremos a trabalhar, com a mesma vontade e determinação, para fazer de Guisande uma freguesia cada vez melhor. Ainda há muito por fazer, mas a vontade de continuar a trabalhar por Guisande mantém-se!"

Espera-se e deseja-se que sim, que no que resta do mandato se faça uma boa parte do que há para fazer e do que constou do programa elitoral da lista vencedora, com vontade, determinação e até inovação, mas também sem se resvalar para lugares comuns ou em acções que podem ser vistosas mas pouco substanciais.

Há, de facto, muito a fazer, e, pessoalmente creio que o actual executivo saberá dar seguimento a este primeiro ano de sinais muito prometedores.

Quanto ao sentido da data, o executivo está a preparar a celebração pública, que constará da inauguração de um jardim junto à rotunda da Cruz de Ferro, em Fornos, com a instalação de elementos decorativos com a palavra GUISANDE. O evento, aberto à comunidade, será no próximo Sábado, dia 7 de Novembro, pelas 11:30 horas.

Será, pois, um momento de evocação da data e sobretudo do seu significado e simbolismo.

Ainda a propósito, pelas 13:00 horas do mesmo dia haverá no Centro Cívico um almoço comemorativo com a participação da Junta de Freguesia, da Assembleia de Freguesia e elementos ligados ao processo da desagregação. 

Espera-se e deseja-se que doravante, todos os anos nesta data seja evocada a mesma, a sua importância e significado.




Grupo Solidário de Guisande - Natal 2026 - Apoio aos sem-abrigo

Iniciativa Solidária

Apoio aos Sem-Abrigo do Porto

O Grupo Solidário de Guisande volta a sair à rua!

No próximo dia 20 de novembro, o Grupo Solidário de Guisande irá realizar mais uma ronda de apoio aos sem-abrigo da cidade do Porto, em parceria com a associação "A CASA – Apoio aos Sem-Abrigo do Porto", dando continuidade a uma iniciativa já realizada em anos anteriores.

Bens Necessários para Angariação:

  • Cobertores
  • Casacos quentes (de homem e de senhora)
  • Produtos alimentares: enlatados, massa, arroz, bolanchas, óleo, azeite, café, entre outros
  • Guardanapos e outros bens essenciais

O Grupo tem plena consciência de que os tempos que vivemos não são fáceis para ninguém. No entanto, sabe que há quem enfrente dificuldades ainda maiores, vivendo diariamente na rua, sem o conforto de um lar, sem uma refeição quente e, muitas vezes, sem agasalhos para se proteger do frio.

É por essas pessoas que se apela à generosidade e espírito solidário. Um pequeno gesto pode representar uma grande ajuda para quem pouco ou nada tem.

💛 Toda e qualquer contribuição será muito bem-vinda, com especial importância para os bens alimentares.

PONTOS DE RECOLHA

As doações poderão ser entregues na Igreja de Guisande (nos caixotes colocados junto às portas de entrada) ou diretamente a qualquer membro do Grupo Solidário.

Data limite: Até 19 de novembro

O Grupo conta com toda a comunidade para, juntos, levar um pouco de conforto, esperança e dignidade a quem mais precisa.

"Porque a solidariedade não resolve tudo, mas pode fazer toda a diferença na vida de alguém!"

O Grupo Solidário agradece antecipadamente a generosidade e colaboração de todos.


02/11/2026

Uma forma de ser

 




Dia de fiéis defuntos

✝
Oração pelos Fiéis Defuntos

Na Luz da Eternidade

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Senhor nosso Deus, Pai de infinita misericórdia,

Hoje elevamos até Vós a nossa oração por todos os fiéis defuntos, por aqueles que partiram desta vida e que permanecem vivos no Vosso amor.

Acolhei-os na Vossa infinita bondade e concedei-lhes a paz eterna. Perdoai as suas faltas, purificai os seus corações e conduzi-os à plenitude da vida junto de Vós.

Lembrai-Vos, Senhor, daqueles que partiram sem uma palavra de despedida, daqueles cuja ausência ainda faz nascer lágrimas, daqueles que viveram no silêncio, no sofrimento ou na solidão.

Que a luz perpétua brilhe sobre todos eles e que encontrem em Vós a alegria que não tem fim.

Concedei também conforto às famílias que vivem a saudade, força aos que choram e esperança aos que sentem o peso da ausência.

Que a nossa oração seja um gesto de amor por aqueles que já não podemos abraçar, mas que continuamos a recordar no coração.

Acreditamos, Senhor, que a morte não é o fim, porque Cristo, Vosso Filho, venceu a morte e abriu-nos as portas da vida eterna.

Pela intercessão da Virgem Santa Maria, Mãe de Misericórdia, acolhei os nossos entes queridos no Vosso Reino e concedei-nos a graça de um dia nos reunirmos todos na alegria da Ressurreição.

Por Jesus Cristo, nosso Senhor.

Ámen.

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Dai-lhes, Senhor, o eterno descanso, entre os esplendores da luz perpétua.

Descansem em paz. Ámen.

✝
NA ESPERANÇA DA RESSURREIÇÃO

01/11/2026

Nota de falecimento - Maria Idília Alves de Pinho Santiago

 


Faleceu Maria Idília Alves de Pinho Santiago, do lugar das Quintães. Tinha 94 anos de idade.

Cerimónias exequiais amanhã, Segunda-Feira, Dia de Fiéis Defuntos, pelas 15:30 horas. No final irá a sepultar no cemitério local em jazigo de família.

Expresso os meus sentidos sentimentos aos familiares, de modo particular aos irmãos, ainda em luto pela recente partida do Pe. António Santiago, seu irmão.

Acção de graças por uma vida longa. Que Deus a tenha a Seu lado em eterno repouso!

31/10/2026

Guizande Futebol Clube - Parabéns!

 

Guizande Futebol Clube - Ano 47

 

Neste dia 31 de Outubro, está de parabéns o Guizande Futebol Clube. 47 anos de vida após a fundação oficial. Para os que ainda não o fizeram, é uma boa oportunidade e motivo para se adquirir o livro "Guizande Futebol Clube - Apontamentos para a sua história", que, recorde-se, foi publicado e apresentado publicamente em Abril passado. O clube é o responsável pela sua venda e, naturalmente, toda a receita é para apoiar as suas actividades. Parabéns ao clube e aos seus dirigentes, atletas e colaboradores! A caminho dos 50!

30/10/2026

Junta de Freguesia de Guisande - Um ano de trabalho muito positivo


No próximo dia 4 de Novembro, completa-se um ano sobre a histórica tomada de posse da Junta de Freguesia de Guisande e respectiva Assembleia.

Depois do interregno decorrente da vigência da imposta União de Freguesias, Gião, Louredo e Guisande conseguiram, por via da reposição legal, libertar-se do domínio da freguesia de Lobão, que, durante todo o período de 12 anos (três mandatos), nunca foi capaz de olhar para as demais de forma igualitária. Felizmente, isso é, por agora, passado.

Assim, a freguesia de Guisande pode voltar, com a sua própria gente, a ser dona dos seus destinos e da sua gestão, mesmo com as limitações inerentes a uma pequena freguesia e muito dependente, como quase todas, dos apoios e das boas vontades da Câmara Municipal.

Posto isto, e em jeito de apreciação pessoal da actividade desenvolvida neste primeiro ano pela jovem Junta de Freguesia, eleita por maioria nas eleições de 12 de Outubro de 2025, deixo aqui algumas ideias:

Sendo certo que não há registo de grandes obras, estruturais e significativas, e que estas dependem, em larga medida, dos apoios municipais, também importa ter em conta que está cumprido apenas um quarto do mandato. É, por isso, de acreditar que, com o acumular de experiência do executivo, os três anos restantes, até pela expectativa de cumprimento de promessas de apoios por parte do município, possam ser bem mais produtivos, ao ponto de o balanço que se fizer no final do mandato poder ser deveras positivo.

Algumas das acções já concretizadas podem considerar-se superficiais ou de imagem, sendo que algumas delas terão até um interesse e um efeito prático discutíveis, como é o caso do programa de incentivo à natalidade «Nascer em Guisande». Na realidade, nenhum casal toma a decisão de ter um filho com base neste apoio. Mas é bonito para as redes sociais e, nestas coisas, as Juntas, quase todas elas, seguem as modas e tendências das demais. Apesar disso, não deixa de ser um sinal de proximidade.

Dentro desta filosofia de seguir modas e aquilo que outros executivos também fazem, o evento denominado «Passeio Sénior» é outro despesismo que poderia ser evitado, sobretudo quando o orçamento não estica. Ainda assim, é compreensível e todos sabemos que é popular entre aqueles que dele beneficiam. Não obstante, fosse eu presidente da Junta e admito que teria de concordar em realizar o evento.

A iluminação de Natal é ainda outra moda e tendência. No País, é quase obsceno o valor do dinheiro que se aplica numa coisa tão vistosa quanto efémera. Mas, novamente, o povo habitua-se a elas e depois não querem ficar atrás das freguesias vizinhas.

Nestas particularidades, como ficou dito, a Junta de Freguesia de Guisande limitou-se a abordar esses eventos ou programas como algo que faz parte de marcar o ponto. Apesar disso, mesmo dentro desta filosofia de ter de ser, creio que o que fez, fê-lo de forma positiva. Ainda que sejam iniciativas que as demais Juntas de Freguesia também promovem, e por isso uma moda ou tendência, importa haver capacidade e originalidade na forma de as fazer mas sem descurar a contenção nos custos.

Quanto ao essencial, as limpezas das ruas e dos espaços públicos têm sido, no geral, positivas e notoriamente diferenciadoras, quando comparadas com o que acontecia durante a União de Freguesias. Diria mesmo que, nos primeiros dois meses, se limpou mais e melhor do que a União de Freguesias fazia num ano.

Apesar disso, importa assegurar uma boa gestão, nomeadamente no que respeita ao histórico das intervenções, pois há locais que chegam ao ponto de apresentar uma imagem muito má. É o caso, por exemplo, da zona entre Estôze e Pereirada, onde se verifica um crescimento desmesurado da vegetação, enquanto alguns arruamentos secundários, com pouco trânsito e sem habitações, foram entretanto limpos, ficando por tratar um dos principais arruamentos da freguesia.

Tal como tive a oportunidade de dizer na última Assembleia de Freguesia, creio que, com alguma atenção e até experimentalismo, é possível adoptar outro tipo de abordagem e fazer mais com os poucos recursos disponíveis. Por exemplo, dando atenção constante aos pontos que sabemos serem críticos no crescimento da vegetação.

Tenho para mim que, em certas situações, será mais vantajoso limpar determinada rua ou local mais vezes ao longo do ano. Limpar uma determinada rua apenas uma vez por ano pode significar perder um dia completo de trabalho, gastar mais combustível, porque a vegetação está mais densa, e gerar um volume maior de resíduos para recolher. Ora, fazendo-se três intervenções ao longo do ano, estas serão mais rápidas e menos demoradas, certamente com menor consumo de combustível e com muito menos material para recolher, tornando também essa tarefa mais célere.

Quanto a obras e melhoramentos, houve várias acções positivas, mesmo que realizadas com o apoio dos serviços municipais, nomeadamente a renovação dos espaços ajardinados na envolvente da igreja matriz. Também se verificou um melhoramento na calçada e no canteiro do monte do Viso. Não passou de um remendo, mas uma intervenção de fundo estará para além dos recursos do executivo sem o necessário apoio municipal.

Quanto a obras que carecem de apoio e de programas municipais, já ultrapassa o absurdo a situação da Rua da Zona Industrial que, a pretexto da prévia realização das redes públicas de água e saneamento, se tem arrastado no tempo, com todos os inconvenientes para os moradores abrangidos e demais transeuntes. Mesmo a Rua do Sebastião, interrompida a pavimentação há longos meses por causa de um abatimento do piso, mesmo depois deste estar resolvido, continua por concluir o que faltava do novo pavimento. A Junta de Freguesia deve continuar a pressionar o executivo camarário para que estas situações sejam resolvidas com urgência.

A pavimentação da rua envolvente ao Campo de Jogos, no Reguengo, é igualmente uma necessidade mas a Junta não terá capacidade de a fazer sem o apoio dos programas de pavimentações da Câmara Municipal. Mas outras há que se encontram a pedir requalificação.

Também se melhorou muito no atendimento, bem como numa indiscutível maior proximidade à população em geral e aos grupos, incluindo na vertente da paróquia, com apoio às suas actividades e eventos e uma colaboração estreita e interessada.

A mudança do atendimento para as instalações do Centro Cívico, não sendo o ideal, por acontecer em detrimento do edifício-sede, é, ainda assim, aceitável enquanto este não for dotado de condições modernas e adequadas, incluindo no que respeita às acessibilidades para utentes com mobilidade reduzida ou condicionada. Em contrapartida, certamente ajudará a dinamizar o dia-a-dia do Centro Cívico.

Na parte da comunicação e da imagem, nem sempre se tem primado pela melhor forma e objectividade, resvalando-se, muitas vezes, para as banalidades costumeiras nas redes sociais, tão ao gosto de algumas outras Juntas de Freguesia. Mas é compreensível, num tempo em que muito do eleitorado valoriza mais o parecer do que o ser. A Junta deve saber destinguir o essencial do irrelevante.

A página online da Junta só desde há dias, quase um ano depois, é que está online, e chapa 4, igual a muitas outras, e ainda assim sem conteúdo. Pareceu inicialmente  haver alguma pressa na questão da apresentação da imagem e identidade da nova Junta, mas este aspecto da página oficial foi totalmente descurado, e até poderia ter sido feito de forma fácil e gratuita. Uma Junta deve ter um canal institucional, incluindo a partilha de todos os documentos e actas de reuniões de Junta e Assembleia, bem como digitalização e partilha de arquivo histórico. A presença nas redes sociais é importante e no geral tem sido usada razoavelmente, mas não serve os propósitos institucionais.

Mesmo não sendo, por opção, frequentador das sessões da Assembleia de Freguesia, do que vi e dos testemunhos que vou ouvindo, parece-me que tem havido um bom ambiente entre os diversos elementos e que a oposição tem assumido uma postura positiva e cordial, muito longe de outros tempos de crispação, confronto e até desrespeito. Tudo isso ajuda, em muito, a que as coisas se façam bem e a favor de todos, afinal, o mais importante.

Em resumo, e para finalizar, certamente haverá ainda outros aspectos e acções do executivo que merecerão ser realçados e avaliados positivamente, como o melhoramento na capacidade do poço que abastece de água o cemitério, a numeração das sepulturas, os esforços realizados na reorganização dos registos, etc. Também a vontade de resolver de forma definitiva a questão dos limites da freguesia, sobretudo na zona que abrange o lugar de Azevdo e ilegitimamente considerada como sua pela freguesia das Caldas de S. Jorge, a instalação das placas de limites, etc. Por conseguinte, no geral,  na minha apreciação, considero que a actividade da Junta de Freguesia tem sido muito positiva e promete mais e melhor.

Assim, no início deste segundo ano, almejo que o trabalho prossiga e se adense nos aspetos mais significativos, mantendo a evolução contínua em todas as outras áreas. É essencial que nunca se descure a proximidade à comunidade e aos seus representantes e que, em cada ação, se valorizem e exaltem as particularidades da nossa freguesia, respeitando o legado de quem nos antecedeu. Somos pequenos em território e em população, mas únicos na nossa identidade — e é precisamente essa diferença, e o saber honrá-la, que deve guiar o nosso caminho.

Parabéns, pois, a todos: à Junta e à Assembleia de Freguesia!

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