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23/09/2026

Laurindas em Guisande




Neste apontamento, também publicado no Facebook no grupo privado "Guisande: Ontem e hoje" partilho alguns dados genealógicos sobre algumas Laurindas na nossa freguesia. 

Mais terão existido, certamente, mas é destas que de momento me recordo ou tenho elementos pesquisados.


1. Laurinda Henriques Baptista – Estôze

Nasceu em Lobão no dia 14 de Dezembro de 1886. Faleceu em Guisande em 28 de Outubro de 1974.

Filha de Manuel Alves de Pinho, moleiro, de Fiães, e de Inácia Henriques Baptista, do lugar do Candal – Lobão.

Em 22 de Dezembro de 1910, casou com Tomás Custódio Gonçalves, nascido em 18 de Setembro de 1889. Viveram em Estôze – Guisande.

De filhos: Anselmo, Maria Orlanda, Maria Terezinha, José, Maria da Conceição, Cristina, Maria Adelaide, Luíz e Maria Isaura.


2. Laurinda – Casaldaça

Nasceu em 25 de Outubro de 1905.

Filha de Manuel António da Mota e Eusébia Henriques de Jesus.

Neta paterna de Eusébio António da Mota e Emília Rosa de Jesus.

Neta materna de José Ferreira Coelho e Maria Henriques de Jesus.

Entre outros e outras, era irmã da Gracinda, que casou com Firmino Alves dos Santos, tendo vivido em Gândara – Guisande.

Casou com António dos Anjos Moura, de Fregim – Amarante, e, depois de viúva, casou em segundas núpcias com José Maria Vieira, de Medas – Gondomar.


3. Laurinda – Quintães

Nasceu em 2 de Janeiro de 1908, em Quintães.

Filha de mãe solteira, Rosa Gomes da Conceição.

Neta materna de António Caetano de Azevedo e Maria Gomes da Conceição.


4. Laurinda – Quintães

Nasceu em 6 de Fevereiro de 1908.

Filha de José dos Santos Júnior e Carolina Joaquina dos Santos.

Casou em 7 de Fevereiro de 1943 com Américo Pereira Gomes, em S. Paulo – Brasil.

Neta paterna de José dos Santos e Maria de Jesus.

Neta materna de José Leite Ribeiro e Maria Joaquina dos Santos.


5. Laurinda Gomes da Conceição – Quintães

Primeira filha de nome, de Justino da Conceição Azevedo e Rosa Gomes de Almeida.

Nasceu em 17 de Janeiro de 1909.

Neta paterna de António Caetano de Azevedo e Maria da Conceição.

Neta materna de Maria Gomes de Almeida.

É ainda referido que, na família, existiu outra Laurinda Gomes da Conceição, nascida posteriormente, em 1933, também filha de Justino da Conceição Azevedo e Rosa Gomes de Almeida.


6. Laurinda Moreira de Resende – Igreja

Nasceu no dia 20 de Novembro de 1917.

Era filha de Manuel da Costa Moreira, de Goim – Romariz, e de Maria da Conceição Leite de Resende, do lugar da Igreja – Guisande, que casaram em 14 de Junho de 1916.

Casou com o Dr. Joaquim Inácio da Costa e Silva, em 18 de Fevereiro de 1943.

O Dr. Joaquim Inácio da Costa e Silva nasceu em 26 de Novembro de 1911 e faleceu em 20 de Outubro de 1989, por isso com quase 78 anos de idade.

Era filho de Manuel Inácio da Costa Silva Júnior, da freguesia de Pigeiros, do lugar da Aldeia, e de Ermelinda Baptista de Pinho, de Guisande, do lugar do Outeiro, da Casa da Quintão, que casaram em 19 de Julho de 1889.

Do casamento do Dr. Joaquim Inácio com D. Laurinda nasceram vários filhos, nomeadamente Manuela, Odete, Alcina, António, Maria José e Manuel Inácio.

A mãe de D. Laurinda, Maria da Conceição Leite Resende, era filha, terceira do mesmo nome, de Bernardo Leite Resende e de Margarida Rodrigues Pereira, de Fiães.

Maria da Conceição Leite Resende nasceu em 20 de Agosto de 1883 e faleceu em 14 de Dezembro de 1956. Era neta materna de José Leite de Resende e Teresa Maria de Jesus e neta paterna de João Pereira e Josefa Rodrigues de Oliveira.


7. Laurinda da Conceição Azevedo – Fornos

Nasceu em 6 de Junho de 1925 e faleceu em 18 de Novembro de 2020, com 95 anos.

Filha de Aníbal Azevedo da Conceição e de Francelina da Conceição Oliveira.

Neta paterna de António Caetano de Azevedo e Maria da Conceição.

Neta materna de Joaquim Gomes de Almeida e Maria Rosa de Oliveira.

Casou em 28 de Janeiro de 1945 com António Ferreira Alves.

Viveram no lugar de Fornos.

De filhos, Joaquim Fernando, Serafim, Maria Isaura, Aníbal, Maria Goreti, Maria de Fátima, Maria Fernanda e António Alcino.


8. Laurinda Gomes da Luz – Cimo de Vila

Minha tia paterna.

Nasceu em 5 de Fevereiro de 1930. Faleceu com 96 anos de idade, em 22 de Março de 2026.

Era a segunda de nome, pois antes dela houve uma irmã nascida em 11 de Dezembro de 1926, que faleceu com 16 meses de idade.

Filha mais nova de Joaquim Gomes de Almeida e Maria da Luz.

Neta paterna de Raimundo Gomes de Almeida e Delfina de Oliveira.

Neta materna de José Joaquim Gomes de Almeida e Maria da Conceição de Jesus.

Os irmãos eram: José, Joaquim, António, Manuel, Delfina e Celeste.

Em 10 de Setembro de 1959, casou com Avelino de Sousa, do lugar da Teixugueira – Lobão. De filhos, a Maria do Céu, o Carlos Alberto e Elsa Maria.


9. Laurinda da Silva Baptista – Barrosa

Nasceu em 7 de Abril de 1933 e faleceu a 11 de Março de 2022, com 88 anos.

Casou com José da Costa Faria.

Viveram no lugar da Barrosa.

De filhos: Álvaro, Maria Emília, Maria Glória, Maria Amélia, António Fernando, Maria Celeste, Maria de Lurdes, Maria de Fátima e Manuel Joaquim.


10. Laurinda Gomes da Conceição – Quintães

Segunda filha de nome, de Justino da Conceição Azevedo e Rosa Gomes de Almeida.

Nasceu a 13 de Agosto de 1933 e faleceu solteira em 5 de Setembro de 2016.

Neta paterna de António Caetano de Azevedo e Maria da Conceição.

Neta materna de Maria Gomes de Almeida.

O seu pai, Justino, nasceu em 15 de Fevereiro de 1898 e faleceu em 31 de Dezembro de 1945. Tinha, pois, a Laurinda 12 anos quando lhe morreu o pai.

Teve como irmão David Azevedo da Conceição, que nasceu em 27 de Março de 1921 e que casou em 12 de Outubro de 1941 com Maria da Conceição Francisca da Costa.

Ainda teve vários irmãos, nomeadamente:

Maria Gomes da Conceição, Laurinda Gomes da Conceição (1.ª de nome), António Azevedo da Conceição e Maria Rosa Gomes da Conceição.


11. Laurinda Ferreira dos Reis – Cimo de Vila

Nasceu em 8 de Janeiro de 1934 e faleceu em 22 de Janeiro de 2015.

Filha de Adelino Ferreira dos Reis e de Albertina Rosa de Jesus.

Casou com Joaquim Pereira dos Santos, nascido em 23 de Outubro de 1933 e falecido em 16 de Junho de 2022, filho de pai incógnito e de Joaquina Pereira dos Santos.

Viveram em Cimo de Vila.

Tiveram vários filhos: Adelino, Manuel, Serafim, António, Carlos Alberto, Joaquim, Alcino, Jorge, Alcides Jerónimo e Celina.

12. Laurinda Angélica.

Natural de Milheirós de Poiares, vive em Estôze.

Viúva de Fernando de Almeida Anunciação.

13. Laurinda Leite de Resende – Leira

Data de nascimento não indicada.

Filha de Manuel Leite Ribeiro e Bernardina Rosa de Jesus, de Duas Igrejas – Romariz.

Casou com Inácio José da Silva, com quem viveu no lugar da Leira.

De filhos: Maria da Anunciação, Bernardina, Madalena, Manuel José, António, Margarida, Carmindo e Inácio.


14. Laurinda da Conceição - Cimo de Vila 

Conhecida como Laurinda do Fonseca, nasceu a 11 de março de 1924. Era irmã do meu avô materno, Américo José da Fonseca, e ainda de Justino, Alexandrino, Joaquim e Manuel.

Era filha de Raimundo José da Fonseca e de Margarida da Conceição.

Era neta paterna de António José da Fonseca e de Maria de Oliveira, do Carvalhal (Romariz), e neta materna de António Caetano de Azevedo e de Maria da Conceição, do lugar das Quintães.

Laurinda casou, a 29 de janeiro de 1944, com Alexandre Ferreira de Almeida, conhecido como Alexandre do Moleiro. Alexandre nasceu a 25 de junho de 1924 e era filho de Domingos Ferreira Gomes de Almeida e de Emília Rosa de Jesus, do lugar da Barrosa.



Quanto ao que se possa dizer sobre o significado do nome Laurinda:


Laurinda é um nome feminino de tradição portuguesa, associado etimologicamente ao universo de Laura e do loureiro, árvore que, desde a Antiguidade, se tornou um dos mais conhecidos símbolos de vitória, honra e glória.

A origem mais tradicional relaciona Laurinda com o nome Laura, proveniente do latim laurus, palavra que significa “loureiro” ou “louro”. Na cultura greco-romana, os ramos de loureiro eram utilizados para confeccionar coroas oferecidas a vencedores, poetas e figuras distinguidas, tornando-se símbolos de triunfo, reconhecimento, prestígio e glória. Por essa associação simbólica, o nome Laura — e, por extensão, nomes relacionados com a mesma raiz — passou a evocar ideias como “a vitoriosa”, “a que triunfa” ou “a coroada de louros”.

Quanto à formação de Laurinda, algumas fontes populares de onomástica apresentam o nome como uma combinação ou aproximação de Laura e Linda, atribuindo-lhe, nesse sentido, uma interpretação simbólica como “bela e triunfante” ou “belo loureiro”. Esta leitura, contudo, deve ser entendida como uma interpretação do significado do nome e não necessariamente como uma explicação etimológica consensual.

O elemento Linda, por sua vez, está associado em português ao adjetivo “linda”, no sentido de “bela”, “bonita” ou “formosa”. A sua história etimológica é, porém, mais complexa, existindo diferentes hipóteses acerca da sua origem e da sua relação com outros nomes, como Olinda e Belinda.

Assim, numa interpretação simbólica, Laurinda pode reunir dois campos de significado particularmente expressivos: de um lado, o loureiro, associado à vitória, à honra e à glória; de outro, a ideia de beleza e formosura. O resultado é um nome tradicional que pode ser poeticamente interpretado como “a bela e vitoriosa”, “a que traz a glória do loureiro” ou “a coroada de louros”.

Simbolismo do nome Laurinda

O loureiro desempenha um papel importante nesta interpretação. Na Antiguidade, a coroa de louros era um sinal de distinção e reconhecimento. Mais do que representar apenas uma vitória, simbolizava a honra conquistada, a excelência e a permanência da glória. Por isso, a associação de Laurinda ao loureiro permite atribuir ao nome um simbolismo ligado à força, dignidade, perseverança e triunfo.

A dimensão de beleza associada a “Linda” acrescenta uma segunda vertente simbólica, tornando possível uma leitura que combina beleza e força, elegância e determinação, ou delicadeza e coragem.

Laurinda e Laurindo

A forma masculina correspondente é Laurindo, nome pertencente à mesma família onomástica. Ambos preservam a ligação tradicional ao universo de Laura, Laurus e do loureiro, embora as formas e a evolução histórica dos nomes devam ser consideradas separadamente.

Formas carinhosas

Entre as formas afetivas que podem ser utilizadas para Laurinda encontram-se Lau, Lauri, Lari, Lara e Linda, embora a escolha do diminutivo dependa naturalmente da tradição familiar e do contexto linguístico.

Em resumo

Laurinda é um nome de forte valor simbólico. Associado tradicionalmente ao loureiro, remete para vitória, honra, glória e distinção; quando relacionado ao elemento “Linda”, acrescenta-se a ideia de beleza e formosura.

Por isso, numa interpretação simbólica e poética, o nome Laurinda pode ser entendido como:

“a bela e vitoriosa”, “a coroada de louros” ou “aquela que traz a glória e a beleza”.

Mais do que um simples significado literal, Laurinda carrega, assim, uma tradição simbólica ligada à beleza, à dignidade, à perseverança e ao triunfo.


Chegou o Outono



Chegou o outono sem avisar que vinha,

com um vento quente, nas asas do destino.

Uma folha desprende-se e, por um instante,

parece que o mundo se esquece de continuar.


Acompanho-lhe a queda:

não há tragédia no declínio,

apenas a leveza irrefutável

de quem cumpriu o tempo de ficar.


Talvez a vida se resuma a isto:

um verão que não soubemos reter,

uma tarde que se dilata enquanto pode,

e, depois, o vento soberano

a ensinar-nos a arte de partir.


Há um espelho de mim

nas árvores despidas.

Também eu vou perdendo as minhas folhas:

lugares, nomes, desejos, rostos,

certezas que julguei imortais

e que hoje se dissolvem em penumbra.


E, contudo, não receio o inverno.

O medo é outro e mais profundo:

é descobrir que atravessei a primavera

sem nunca ter estado, de facto, nela.


Agora a luz declina, suave e rasteira,

e o céu hesita antes de se apagar.

Caminho devagar,

como se cada passo fosse uma pergunta soprada ao ar.


No fim, talvez não exista fim,

apenas a última dúvida que deixamos de ter.

E quando a minha derradeira folha tombar,

que o faça no mais puro silêncio,

como cai uma lágrima sentida.


Lá chegado, que ninguém diga: Olha, morreu!

Digam somente: foi outono, e ele compreendeu.

22/09/2026

Jorge Palma - "O meu amor ensinou-me a partir, nalguma noite triste"


"O meu amor ensinou-me a partir, nalguma noite triste"

Com a partida de Jorge Palma (e nestas coisas fala-se e comenta-se como se a morte nunca entre na equação para certas figuras) poucos mais ficam com a sua genialidade e qualidade. Desses, alguns já em idade avançada. Do resto, no geral, fica a mediocridade mas que enche palcos e concertos, porque hoje em dia o sucesso é marcado e definido por tantas coisas menos pelas que realmente contam para o caso, o talento próprio e natural.

Vamos (eu não) a concertos e festivais como quem faminto se abanca num qualquer fast-food onde não se resiste a fritos e a processados. Mas se toda a gente gosta, siga!

Durante estes dias em que se falará de Jorge Palma, dirão que foi-se o artista mas fica a música e as suas palavras, uma perda enorme para a cultura e música, um dia de luto para o país, um vazio insubstituível, etc. Já o disseram de Amália, Carlos Paião, Fausto, José Mário Branco, Carlos do Carmo, Luís Represas, etc. Dirão o mesmo quando chegar a vez de Sérgio Godinho, Rui Veloso, José Cid, etc.

É a vida. Como alguém costuma dizer, a vida é uma merda e depois morre-se!

Que fique em paz e na nossa memória musical e colectiva!


No bairro do amor a vida é um carrossel

Onde há sempre lugar para mais alguém;

O bairro do amor foi feito a lápis de cor

Por gente que sofreu por não ter ninguém.


21/09/2026

Atendimento nos cartórios e celebrações de missas - Horários

 


Estes horários são os habituais, sem prejuízo de excepções, devida e previamente avisadas.
No caso, em Guisande, no dia 25 de Setembro de 2026, não haverá atendimento.

20/09/2026

Os bons, os maus, os vilões e...os tolos


Houve um tempo em que os loucos tinham um certo ar que lhes emprestava uma aura de fascínio. Nos filmes dos anos sessenta e setenta, conhecidos como spaghetti western, em que os cowboys do oeste americano falavam italiano, sobretudo naqueles em que a realidade parecia ter sido deixada demasiado tempo ao sol, apareciam criaturas singulares, de olhos inquietos, gestos imprevisíveis e uma relação bastante livre com a razão. Não só um Clint Eastwood, como um Lee Van Cleef, mas outros mais, eram magníficos como intérpretes e figuras. Vistos do outro lado do ecrã, podiam ser admirados sem perigo, como se admiram os animais selvagens num documentário: há qualquer coisa de extraordinário neles mas desde que exista vidro entre nós.

O problema começa quando saem do filme. Ter um desses personagens à nossa frente é uma experiência bastante menos cinematográfica. Desaparece a música, acaba o enquadramento e percebemos que não há um Sergio Leone, Sollima, ou Corbucci para dizer quando a cena termina. Ficamos entregues ao homem. E o homem pode ser perfeitamente educado. É isso que mais inquieta.

Diz bom-dia, sorri, pergunta pela família, segura a porta para passarmos. Nas redes sociais agracia-nos com likes e comentários com erros mas lisonjeiros. Parece até um cidadão exemplar. Só que há qualquer coisa no olhar e no historial pessoal que recomenda prudência, uma espécie de meteorologia particular que não conseguimos interpretar. O céu está limpo, mas convém não esquecer o guarda-chuva.

Com certas pessoas, a conversa é uma caminhada sobre gelo fino. Não sabemos exactamente o que fizemos, mas sabemos que alguma coisa fizemos. Talvez o sorriso tenha durado um segundo a mais. Talvez o cumprimento tenha soado pouco sincero. Talvez tenhamos olhado para o lado no momento errado. Talvez uma uma faísca perto de gasolina. Há pessoas que possuem o raro talento de encontrar insultos onde os outros encontram apenas silêncio ou de ver o copo meio vazio quando todos juram que está meio cheio.

E então mudam. Não é preciso grande coisa. Uma sobrancelha levanta-se, a boca endurece, o rosto perde a cortesia e, de repente, aquele homem que há dez segundos parecia incapaz de fazer mal a uma mosca adquire uma expressão bíblica. Não é preciso que tire uma faca do bolso. Às vezes basta a maneira como olha para perceber que a civilização é uma película bastante fina e que, por baixo dela, há ainda qualquer coisa com dentes. Num instante, aquele que parecia todo cortesias, torna-se um inimigo visceral, espalha infâmias e calúnias mesmo que nos mude o nome.

Nessas alturas, fazemos o que a humanidade aprendeu depois de muitas guerras: ignoramos por completo e recuamos com elegância.

Sorrimos, até e continua-se a rotina do cumprimento, o levantar a mão quando passa de carro ou no final da missa ou na caixa do mercado.

Baixamos a voz. Concordamos, quando concordar não custa nada.

Não porque sejamos cobardes, como provavelmente gostaríamos de acreditar, mas porque descobrimos uma verdade prática que os heróis dos filmes com bons  mas sobretudo maus e vilões raramente respeitam: chegar vivo ao fim da conversa ou de uma contenda é uma forma respeitável de vitória.

Depois há os dias bons. Há manhãs em que o céu se conserva azul também dentro daquela cabeça e o homem aparece quase normal, como se voltasse a tomar a medicamentação a horas certas. É precisamente nesses momentos que, tomado talvez por uma estranha necessidade de contacto humano, decide interessar-se por nós, mesmo que sem pedir desculpas, como se nada tivesse acontecido, como se tudo fosse mesmo um filme.

Quer saber por que estamos tão afastados. Pergunta se sempre fomos assim. Questiona a saber de onde nos veio aquele gosto pela solidão, como se a solidão fosse uma doença hereditária que alguém tivesse obrigação de explicar.

É uma situação delicada. Podíamos dizer a verdade, naturalmente, mas a verdade é uma ferramenta que não deve ser usada indiscriminadamente. Há pessoas a quem se pode contar a vida de fio a pavio e há pessoas a quem é preferível falar  de coisas banais como do tempo com ares de meteorologista a antever sol, chuva e trovoada pela aparência das nuvens ou falta delas.

Por isso sorrimos. Dizemos qualquer coisa vaga. Fazemos um pequeno gesto de quem não percebeu bem a pergunta.

E, se percebermos que a conversa começa a tomar uma direcção pouco recomendável, fazemos o que tantos homens sensatos fizeram antes de nós diante de reis, loucos e cobradores de impostos: fazemos-nos de parvos.

É uma arte antiga e subestimada. O idiota, ao contrário do inteligente, raramente é considerado uma ameaça. Já discutir com ele, ganha-nos em experiência. Ademais, são da escola primária as leituras e fábulas das lutas entre moleiros e carvoeiros em que ambos ficam enfarruscados.

Para além de tudo, há momentos em que a melhor maneira de conservar a sanidade é deixar que o outro pense que não temos nenhuma. Afinal, dizem que dois tolos se compreendem como ninguém.

19/09/2026

Zé Coelho - Saudade

 

Fosse vivo e estaria neste dia 19 de Setembro de 2026 a celebrar o seu 100.º aniversário. Mas já partiu, há quatro anos, em 31 de Maio de 2022.

Não estando cá fisicamente, vive espiritualmente entre nós e por isso, de novo o trago aqui em memória.

Apesar de uma relação de amizade um pouco tardia, foram, ainda assim, muitos anos e muitos momentos partilhados.

O seu espírito aberto e alegre ajudaram em muito à sua sociabilidade na nossa comunidade.

Na missa de hoje, Sábado, hoje teve uma missa em sua memória e intenção. 

Que Deus o tenha junto a si.

Mais um livro pela mão do Carlos Cruz

 







Na passada sexta-feira, 11 de setembro, na freguesia de Lomba, em Gondomar, tive o prazer de participar na sessão de apresentação do livro de poesia "Manuel Moreira – Uma forma poética de viver". A obra foi organizada pelo nosso Carlos Cruz, natural daquela freguesia ribeirinha do Douro.

O livro é composto por poemas de Manuel Moreira, um filho da terra e emigrante reformado, que, através de uma poesia simples, realiza uma viagem ao tempo, aos lugares e ao modo de vida de um povo e de uma terra de que já só os mais velhos guardam memória. De certo modo, trata-se igualmente de uma poesia autobiográfica, uma vez que relata o seu percurso e a sua emigração para França, país onde manteve sempre uma forte ligação a Portugal e às suas raízes, nomeadamente através da dinamização de uma rádio e de um jornal, sendo figura reconhecida na comunidade local e imigrante.

Manuel Moreira foi cofundador do Rancho Folclórico de Santa Eufémia de Pé de Moura, motivo pelo qual fez todo o sentido que a apresentação da obra tivesse lugar na sede do próprio rancho, que esteve cheia. Para além da apresentação, houve lugar a fado e à actuação do rancho folclórico.

O livro foi editado pela Junta de Freguesia da Lomba, numa clara demonstração de apoio aos valores culturais da sua gente e da sua terra. Louvável!

Tal como já tinha sucedido com uma publicação anterior dedicada a outra importante figura da Lomba, Joaquim Viana, aceitei o convite do Carlos Cruz para deixar também a minha assinatura na obra, assumindo a paginação, bem como o design e o grafismo da capa.