Foi ontem a sepultar o Pe. António Alves de Pinho Santiago. Aconteceu num domingo, Dia do Senhor, como bem lembrou o Bispo Auxiliar do Porto, D. Roberto Rosmaninho, que presidiu às exéquias.
A Igreja Matriz de Guisande tornou-se pequena para todos os que quiseram prestar a sua última homenagem, incluindo muitos fiéis vindos das paróquias de Palmaz e Travanca, em Oliveira de Azeméis, que o Pe. Santiago serviu e estimou ao longo de tantos anos (55 anos em Palmaz e quase 26 em Travanca). Foi também professor de Moral e Religião na Escola Básica Bento Carqueja, em Oliveira de Azeméis.
Num bonito gesto de comunhão, o acompanhamento musical esteve a cargo do Grupo Coral de Palmaz, enquanto a interpretação do salmo foi generosamente assumida por uma coralista da nossa paróquia. A celebração contou ainda com a presença de diversos sacerdotes e diáconos, entre os quais o vigário Pe. José Carlos, o pároco de Palmaz, o nosso atual pároco, Pe. Cláudio, e o seu antecessor, Pe. António Jorge, que no meio de uma agenda apertada, não quis deixar de se associar.
É verdade que perante a morte e aos olhos de Deus somos todos iguais. Contudo, enquanto servo dedicado à Sua Igreja, o Pe. Santiago teve uma despedida à altura da dignidade da sua missão. Foi uma cerimónia profunda e envolta em afectos, onde a família próxima pôde encontrar algum conforto perante a dolorosa perda de um irmão e tio tão especial.
Embora alguns membros da nossa comunidade não tivessem estado presentes por se encontrarem numa deslocação previamente agendada, acredito que o Pe. Santiago esteve presente na oração de todos. Mas nestas coisas cada um sabe de si e Deus de todos.
Esta partida reveste-se de um sentimento de perda acrescido para Guisande. A nossa terra, que no passado foi berço de várias vocações sacerdotais, vê partir aquele que era, actualmente, o seu único sacerdote. Reflexo dos tempos actuais e da evolução da própria sociedade, as vocações consumadas têm-se tornado escassas para a vastidão da messe. Antes dele, partira o Pe. Delfim Augusto Guedes, em 1961; o Pe. José Oliveira, a 24 de fevereiro de 1986; e o Pe. Agostinho Pereira da Silva, a 8 de março de 1997. Quando voltaremos a ter a bênção de uma nova vocação? O futuro a Deus pertence.
Pessoalmente, devo confessar que nunca mantive uma proximidade profunda com o Pe. António Santiago, para além de cumprimentos cordiais e palavras de circunstância. Recordo, no entanto, com especial afecto, o momento em que acompanhei o Bispo D. Roberto e o Pe. António Jorge numa visita à sua residência, aquando da Visita Pastoral em junho de 2024. Nessa altura, apesar do seu olhar acolhedor e do seu gesto afável, a doença já limitava a sua comunicação.
Do que me recordo, os serviços litúrgicos que prestou em Guisande foram pontuais, dada a entrega dedicada às suas paróquias de adopção. No entanto, o seu amor e apego à terra natal e à casa paterna nunca esmoreceram — prova disso foi o seu desejo expresso de repousar junto dos seus pais e irmãos. Seria natural que optasse por permanecer em Palmaz, onde serviu devotamente durante mais de meio século, mas o seu coração pediu para regressar a casa, ao aconchego da sua terra.
Em certas figuras, não é indispensável uma intimidade diária para que se reconheça a sua relevância. Proveniente de uma das famílias mais estimadas da nossa comunidade e com um percurso exemplar ao serviço da Igreja, o Pe. Santiago deixa um legado que todos honramos. É, e será sempre, uma das grandes referências da nossa história local.
Partiu quando Deus assim o determinou, tendo enfrentado a doença com resignação, amparado pelo carinho dedicado da sua família, em especial da sua irmã Flora, fiel companheira de todo o seu percurso pastoral.
Que Deus o acolha na Sua luz eterna e, na Sua infinita misericórdia, contemple a humanidade do seu servo. O Pe. António Santiago permanecerá vivo na memória dos seus entes queridos e na história emotiva das comunidades de Guisande, Palmaz e Travanca, onde marcou gerações.
Que descanse em paz.































