Confesso que tenho reduzido os treinos com voltas e voltinhas de bicicleta. Talvez por questões de tempo, tenho dado preferência a caminhada, corrida e mistura de ambas. Mas ontem de tarde lá peguei na bicicleta e como detesto plaininhos, lá fui por Vale, Escariz e Chave de Arouca.
Já no regresso, com o calor e naturalmente cansado, em ritmo de moleza, até porque de manhã tinha feito uma hora de caminhada, numa subida média, vindo de trás, silencioso, sem sinal, olá, viva ou boa tarde, passou por mim um outro ciclista, como quem ía de mota. Na verdade pedalava sentado e com um à vontade que não resultava apenas da pouca idade e reduzido peso mas porque, montava uma bicicleta eléctrica.
Fosse um de igual condição, não me incomodaria, mas face áquela "batota", enchi-me de brios e fui buscar forças que não tinha e um kilómetro à frente coloquei-me na sua roda. Meti conversa: - Então, acabou-se a bateria? - Olhou-me desconfiado, sem responder. Insisti: - Assim não custa! Assim tão novo e levezinho não devia precisar de bateria para ultrapassar um velho pesado! - Lá disse, em jeito de desculpa: - É eléctrica mas só uso como auxílio. - Não quis insistir, até porque nem tinha nada contra o facto, porque cada um anda como quer e pode, mas a sorrir, lá lhe disse: - Pois, como diz o César Mourão na publicidade, "Obrigadinha! Assim também eu!
Um pouco mais à frente e depois de alguma conversa de circunstância, cortei por outra estrada rumo a Guisande e ele lá se foi a pedalar por outra, nitidamente com mais custo, a desejar que chegasse a descida, porque realmente acabou-se-lhe a bateria. Deve ter estourado o resto da energia com a ultrapassagem que me fez com ar de cagão.
Claro que falei sempre num tom irónico mas amistoso, e mesmo assim arrisquei que me mandasse à merdinha. Mas, pensando bem na coisa, volto a dizer o mesmo: "Obrigadinha! Assim também eu!
Enquanto puder, bicicleta eléctrica só para meninas. Sem esforço e sacrifício não há glória. Se sim, fingida!




